28.4.05

Gritos

You need something wet in your mouth, como sugere o Mike Patton.

Páginas Maria

Há uns tempos um tipo confidenciou-me o seguinte, referindo-se a elas:

Só me calham mamãs. Será algum sinal?
Serei estéril?!

Escusei-me a responder-lhe.

27.4.05

Estranhando

Estranha sensação. Fugir sem sair do mesmo lugar.

26.4.05

Odeio os fins-de-semana.

Por não serem o que fui.

25.4.05

Resposta simples

Quem não se cansa de viver sem esperança?
Ou sem a esperança que tudo um dia termine...

21.4.05

E depois?

Depois contas pelos dedos o que falta. Aliás, porque não?

Aguarda, pode ser?

Gosto de ti. Mas continuam a haver forças mais fortes.
E ela diz que sim, concorda. Para a semana segue a continuação. Não se espere, todavia, cura milagrosa.
Os timings devem ser respeitados. Particularmente os meus.

20.4.05

Frontalidade

Deita-te na poltrona. A psicanálise vai começar.

17.4.05

Excessos

Julgo estar a simpatizar demasiado contigo. É mau sinal.

15.4.05

Dormente

O sono vem devagar. Sem pressas. Dias seguidos que sonhei contigo. Por isso tenho medo de dormir. Por isso, o sono vem devagar. Devagar, a impor-se à resistência que conscientemente lhe edifico. Ganha, ele ganha sempre. Todas as noites temo, todas noites clamo por descanso onde só podes inexistir.
A tua presença moldou-se em tormento. A tua presença que era o céu na terra; ou talvez minta, talvez nunca o tenha sido, talvez eu assim tivesse querido que fosse. Perenemente afastada de mim, nesta ruptura sem reversão, permaneces inalteradamente presente. Não sei se te odeie ou ame. Confundes-me. Ou sou eu que me confundo. Porque vives? Porque existes ainda tão viva em mim? Perdi a conta de quem responsabilizar; se eu, se tu. Se ninguém, o mais certo.

O sono vem devagar, devagar ainda que determinado a executar a sua missão. Não lhe é possível resistir, a este dogma também ele constituinte dos quotidianos. Se não os vences, aflora-os como aliado. Participa dele, insinua-lhe que queres sossego, negocia. Cedes aqui e ali, alvitrando que surgirá com espontânea naturalidade, provendo-te da promessa que amanhã despertarás sem recordar que também aquele sagrado monstro que ela foi – é – não esteve presente.
Podes então, neste armistício, vislumbrar o firmamento que paira por cima de todas as cabeças, recolher ao ninho, desejar-te num sussurro uma boa-noite, e abraçar um sono que vem mais célere que outrora. Em breve será manhã.

Os dias que passam

Gostava de poder compreender. Não consigo, assumo. É demasiado nubloso, a minha percepção nada descortina. Podia-te ter pedido que me explicasses. Não servia. A minha confiança em ti havia-se esvaído, acredito que me mentias, como fizeres antes. Para me poupar, disseste quando te confrontei com os factos. Ser poupado de quê? Tinhas-me destruído, impossível ser-te-ia causares-me mais danos. Não te perdoo especialmente por isso, pela mentira que dizias ser hedionda.

Todos os dias o sol nasce. Com eles, a esperança de que num farei novamente pazes comigo. A mente mantém-se demasiado torturada e tortuosa para que as consiga lavrar celeremente. Não faz mal, é uma questão de readquirir confiança. Em mim. Com esse passo dado a normalidade retomará o seu lugar legítimo. E eu também, só ou acompanhado mas com o espírito em sossego.

11.4.05

Conhece-te

Sei que sou feio. Tu também. Só que não mostras.
Feia.

Toca-me

O doutor disse-me que não sou maluco, antes um parasita social agarrado à sua demência.

10.4.05

Tu

Não gosto de ti, não para que sejas mais que passatempo a ritualizar os meus desenrolares.

Não gosto de ti, mas mais do que para te usar para isto.



Beijinhos, linda.

4.4.05

Reset

Estranhamente, o fim de semana aconteceu sem ter sido mau de todo. É um princípio. Uma deixa, que entreabre a hipótese de que algo está a mudar. Para melhor, arrisco sugerir.
O pior acontece quando regresso a casa. Então também tu voltas, um passado que assombra sem deixar sossego.
Pareço um sistema operativo que crasha sempre à mesma hora, subvertido por um qualquer software malicioso.
Então, só já no leito se processa, lentamente, um reset que trará o dia seguinte. Aguardando que a sorte avance com o primeiro desinfectado dos teus resquícios.